A Rodoviária do Plano Piloto é um dos lugares onde Brasília aparece sem cerimônia. Trabalhadores, estudantes, turistas, servidores e moradores de diferentes regiões administrativas se cruzam em um fluxo contínuo. É nesse cenário que a Pastelaria Viçosa construiu uma relação de décadas com a cidade.
Pesquisas sobre memória e identidade brasiliense registram que a casa surgiu ainda nos primeiros anos da capital. A história envolve o mineiro Sebastião Gomes da Silva, conhecido como Tião Padeiro, e Eugênio Apolônio, que vendia pastéis na Rodoviária. Da parceria nasceu um negócio ligado ao cotidiano de quem precisava comer rápido e seguir viagem.
Pastel com caldo de cana: simplicidade que virou símbolo
O pastel acompanhado de caldo de cana se consolidou como uma combinação afetiva para gerações de brasilienses. Em 2026, reportagem da Band voltou ao tema ao tratar a dupla como tradição de mais de seis décadas no centro da capital.
O valor cultural dessa comida não está em luxo ou complexidade técnica. Está na repetição: o balcão, o pastel quente, o copo gelado, a pressa e a sensação de que aquele sabor pertence à rotina da cidade.
Comida popular também conta história
A gastronomia de uma cidade não se resume a restaurantes premiados. Ela também se forma em lanchonetes, feiras, bancas e estabelecimentos que acompanham mudanças urbanas e sobrevivem à transformação dos hábitos. A Viçosa ocupa exatamente esse lugar: é alimentação, comércio e memória ao mesmo tempo.
Há comidas que alimentam o corpo e outras que, sem percebermos, alimentam pertencimento. O pastel com caldo de cana da Rodoviária tem essa força. Ele liga pessoas de diferentes idades e regiões a um mesmo ponto da cidade. É uma lembrança simples, mas socialmente muito poderosa.
Quem acompanhou Brasília por décadas sabe que a Rodoviária é uma espécie de sala de encontro da cidade real. A Viçosa faz parte desse cenário. Não é apenas onde se come um pastel; é um endereço que guarda a rotina de várias gerações.

